Dinâmica

Encontros: às quartas-feiras
Horário: 18h00 - 19h30
Local: Sala P-75 (Prédio Velho - PUC-SP)

Inscrições e Informações: nca@prismajr.com



Thursday, March 12, 2009

Encontro II - Chegando ao Sim

Na última quarta-feira, dia 11/03, compareceram, novamente, mais de 50 pessoas ao nosso Encontro II, muitos dos quais participaram do primeiro encontro, assim como novos inscritos.

Iniciamos a reunião mudando a disposição da sala, colocando os membros em círculo para dar maior impressão de núcleo de pesquisas e ao mesmo tempo passar a impressão de estarmos em uma grande mesa de negociações. A hipótese de dividir o grupo em duas turmas foi novamente levada em consideração. A proposta ainda está sendo estudada e vamos finalizar o assunto em nosso próximo encontro, no dia 18/03.

Em seguida, Eduardo Gresse e João Paulo Paixão comentaram brevemente sobre a notícia da semana: a postura "truculenta" e protecionista da Argentina perante o Brasil. Tal notícia fez com que houvesse bastante discussão entre os membros do núcleo, seja a favor ou contra a postura do Brasil. Os que se diziam contra, alegavam que o Brasil cede demais às pressões argentinas, o que prejudica seu poder de barganha e sua imagem no cenário internacional. Já os que defenderam a postura brasileira, afirmaram que não adiantaria o Brasil "bater de frente" com a Argentina e gerar mais atritos, pois apesar de sua postura "truculenta", no fundo a Argentina encontra-se em situação econômica muito difícil e não tem condições de oferecer riscos ao Brasil, ou seja, uma postura mais branda agora significa em maior resultado a longo prazo.
Ademais, independente da opinião de cada um, foi interessante notar que essa notícia serve como base para calcularmos os custos e benefícios de ambos os lados seja a curto ou a longo prazo.

Discutimos também os capítulos 4 e 5 do livro “Chegando ao Sim” que tratam, respectivamente, de Inventar Opções de Ganhos Mútuos e Insistir em Critérios Objetivos. Os exemplos que os autores dão e a maneira com eles abarcam os conceitos são extremamente interessantes, didáticos e fazem com que a gente os traga para o nosso dia-a-dia.

Tuesday, March 10, 2009

Argentina ensina Brasil a dançar tango

Brasil paga pela Argentina
05/03/2009

Argentina ensina Brasil a dançar tango



Depois de engolir sem reação as imposições e cobranças de três ministros argentinos, o governo brasileiro parece mesmo decidido a assumir a responsabilidade pelos problemas da presidente Cristina Kirchner, no ponto mais baixo de sua popularidade, e de vários setores industriais do país vizinho. Se não houver um choque de bom senso em Brasília, a indústria brasileira será forçada mais uma vez a aceitar cotas para vender à Argentina. Além disso, os industriais nacionais ainda terão de dar graças aos céus - ou à diplomacia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - por não ter de enfrentar barreiras mais altas no comércio com o principal parceiro do Mercosul. Acostumados a ser postos em segundo lugar pelo governo brasileiro, quando qualquer vizinho decide impor sua vontade, os empresários ainda poderão aceitar a solução como se fosse a saída mais prudente e razoável nas circunstâncias de hoje.

As cotas poderão afetar as indústrias de geladeiras, de têxteis e de calçados. Esses e outros setores já estão acostumados ao protecionismo argentino, agravado a partir do trimestre final de 2008, e saberão como proceder, se as empresas tiverem de repartir as cotas de exportação. Enquanto nada se resolve, o governo da presidente Cristina Kirchner dá as cartas como quer e comanda o jogo. Exportadores brasileiros ficam na dependência de licenças concedidas de acordo com os critérios e com os objetivos econômicos e políticos da administração argentina, sem ter como reclamar e sem poder exigir o cumprimento dos compromissos próprios de uma área de livre comércio. Nem seria preciso pensar nas obrigações dos países membros de uma união aduaneira. É este - quem diria? - o status oficial do Mercosul.

Se o governo brasileiro realmente ceder, não fará nada de novo em termos práticos. Repetirá, simplesmente, sua atitude mais comum quando se trata de problemas comerciais com a Argentina. A justificativa poderá ser parcialmente nova. Por exemplo: a economia argentina tem sido afetada severamente pela crise internacional e o Brasil não pode ficar indiferente a essas dificuldades. Afinal, é um mercado muito importante para os exportadores brasileiros, etc. e tal. Essa conversa é bem conhecida, mas não se aplica a outros mercados também muito importantes, como o americano ou o da União Europeia. Mas o Brasil, sendo a maior economia sul-americana, tem de ser generoso com seus vizinhos, diriam os pregadores e planejadores da fantasiosa diplomacia Sul-Sul.

Nessa caricatura de estratégia, o Brasil torna-se responsável pela solução dos problemas criados pelos erros de seus vizinhos. A Argentina perdeu acesso ao mercado financeiro não só por ter dado um calote, mas por haver tratado os credores com truculência. A Rússia entrou em moratória em 1998, mas não declarou guerra a seus financiadores. Sua volta ao mercado foi muito mais fácil. Sem ter jamais adotado uma política fiscal prudente, e sem acesso aos bancos internacionais, o governo argentino passou a depender do presidente Hugo Chávez para rolar a dívida pública. O presidente da Venezuela está hoje atolado em problemas graves, com inflação alta, abastecimento irregular e finanças abaladas pela redução do preço do petróleo. Isso torna ainda mais necessário o socorro brasileiro à Argentina, segundo a diplomacia brasiliense. Mas é preciso acrescentar: confiante no protecionismo e na compreensão do governo brasileiro, a indústria argentina simplesmente não investiu para ampliar e modernizar sua capacidade.

Há muito tempo essa indústria se mostra incapaz de concorrer até mesmo no Mercosul. Por isso o governo argentino cria obstáculos às negociações internacionais do Mercosul: o bloco não pode abrir seu mercado de produtos industriais porque o segundo maior sócio não se arrisca a baixar as barreiras. Esse é um dos entraves a um acordo com a União Europeia e foi um dos entraves, no ano passado, ao avanço das negociações da Rodada Doha.

Nenhum vizinho ajudou o Brasil a vencer qualquer das muitas crises de sua história econômica. Os brasileiros sempre pagaram a conta dos erros políticos de seus governantes e para isso foram ajudados pelo Fundo Monetário Internacional, pelo Banco Mundial e até pelos credores. Agora têm de pagar pelos erros de outros governos e pela inépcia de empresários estrangeiros.

Fonte: Opinião / Jornal O Estado de S.Paulo

Notícia sugerida por Jaqueline Kosilek

2) Concentre-se nos interesses, não nas posições

A premissa deste ponto é de que são os interesses, e não as posições dos atores que definem o resultado de uma negociação, e de que por trás de posições aparentemente inconciliáveis, podem haver interesses convergentes que devem ser mapeados a fim de que haja uma “zona de convergência” que possibilite a negociação.

Note-se que a maioria dos atores envolvidos nas negociações possuem interesses múltiplos, sendo que quanto mais eles se aproximarem de necessidades humanas básicas e fundamentais, maior será a defesa desses interesses. Aqui os autores caem na imprecisão de se definir o que é básico e fundamental. Apesar de algumas teorias universalistas tentarem encontrar interesses que sejam básicos para toda a humanidade, outros entendimentos mais relativistas nos lembram de que a cultura, a política e a história podem alterar, de tempos em tempos, a ordem de prioridade de nossos interesses humanos mais básicos. Grande parte da discussão sobre direitos humanos contemporânea contempla essa problemática.

Como se identificam os interesses?

Perguntar “por que?” é a primeira chave proposta pelos autores para iniciar o que eu chamo aqui de “desvendar de interesses”. Ao incitar a outra parte a explicar o motivo de sua posição, conseguimos também trazê-lo a refletir sobre sua posição, e, assim, compreender que, focando em soluções que atendam a seus interesses – e não a suas posições –, ele sairá da mesa de negociações com um resultado mais positivo do que antes.

Os autores fazem uma reflexão interessante sobre os dois sentidos possíveis ao se perguntar “por que?”. O primeiro está focado no passado, nas raízes e origens de um determinado problema. O segundo está focado no futuro, num cenário que se quer chegar para sair de uma certa situação. É neste sentido que os autores defendem que sempre se “olhe para frente, não para trás”.

Tão importante quanto perguntar “por que?” é perguntar “por que não?”. Em tempo: ambas as perguntas valem tanto para serem feitas à outra parte, quanto a si mesmo ou a quem se está representando. “Por que tenho esse objetivo?”, “por que não adotar a solução proposta por ele(a)?”, “por que você quer isso?”, “por que você não pode aceitar o que estou propondo?”.

Em uma outra obra (“Getting Ready to Negotiate – The Getting to Yes Workbook”, de Roger Fisher e Danny Ertel) que servirá para nossas atividades, teremos acesso, como pude mostrar uma parte no encontro passado, a uma série de ferramentas para colocar no papel todos esses passos a fim de conseguir definir com clareza uma estratégia de negociação.

Falando sobre interesses

Os autores defendem também é necessário dar vida aos interesses, trazendo-os à mesa de negociação, e mais: sendo específicos a respeito da importância deles. Para tanto, é fundamental que os interesses da outra parte sejam reconhecidos como legítimos, mesmo que contraditórios aos seus, e parte de sua contemplação é primordial para a solução do problema. Certamente, é necessário olhar para o problema antes de se procurar ou apresentar a solução.

Muitas vezes, apesar de parecer óbvio, o problema não está completamente claro para uma ou para todas as partes, e é necessário haver uma reflexão conjunta sobre qual é o verdadeiro problema a ser resolvido pelos dois negociadores. Apresentar a sua solução para o problema antes de explicar o que é o problema na realidade é receita certa para colocar a outra parte na defensiva, já que estará preparando seu próprio argumento em resposta, antes de ouvir qual era o problema em si.

Ser objetivo e rigoroso com o problema, e flexível e afável com as pessoas deve ser a principal premissa antes de se negociar. Nesse sentido, a “teoria da dissonância cognitiva” é colocada pelos autores como ferramenta útil para trazer a outra parte para resolver o problema conjuntamente. A teoria afirma, segundo os autores, que as pessoas não gostam da incoerência e agem no sentido de eliminá-la. “Eis porque é importante separar as pessoas do problema. Ataque o problema sem culpar as pessoas. Vá ainda mais longe e dê seu apoio pessoal: escute o outro com respeito, seja cortês, expresse sua consciência do tempo e do esforço dele, enfatize seu interesse em atender às necessidades básicas dele e assim por diante. Mostre-lhe que você está atacando o problema e não a ele” (pág. 73).

1) Deve-se separar as pessoas do problema

Durante as discussões, foram levantados diversos exemplos de situações nas quais o principal entrave é confundir o problema com a pessoa com que se está negociando. Neste sentido, os autores discorrem de forma interessante sobre como é importante se separar as pessoas do problema.

“Um modo mais eficaz de as partes pensarem em si mesmas é como parceiros numa busca obstinada, lado a lado, de um acordo justo e vantajoso para ambos” (pág. 56).

Antes de mais nada, é necessário lembrar que negociadores são pessoas, com sentimentos, angústias, medos, preconceitos e interesses pessoais, mesmo quando representando uma outra pessoa, uma empresa, um Estado, ou um grupo qualquer. Em qualquer negociação, sempre há dois interesses fundamentais em jogo: na substância do que está sendo negociado e na relação com a outra parte negociadora. Assim, é necessário separar a relação entre os negociadores do problema que está sendo discutido. Para isso, 3 fatores são dignos de atenção: a percepção, a emoção, e a comunicação.

Percepção

É necessário se pôr no lugar da outra pessoa, e fazer um exercício de reflexão sobre o que move a outra parte a se comportar de uma determinada maneira. Não se pode deduzir as intenções da outra parte a partir de nossos próprios medos, e, se possível, é interessante discutir as percepções que um tem do outro. Muitas vezes, é oportuno surpreender positivamente a outra parte com uma atitude ou argumento inesperado, sempre tomando cuidado em conhecer e considerar os valores culturais da outra parte que poderão influenciar em sua percepção. Além disso, é fundamental que a outra parte se sinta como participante do processo da negociação, a fim de que ela também tenha interesse no resultado, aprovando tanto sua substância quanto a forma pela qual foi atingido. Por fim, é importante tornar suas propostas compatíveis aos valores e sentimentos do outro, dando a chance da outra parte “salvar as aparências”. Em outras palavras, à despeito do resultado da negociação, é importante que a outra parte termine saindo numa posição “de igual para igual”, ou até mesmo “por cima”.

Emoção

É importante levar em consideração suas emoções e as da outra parte, explicitando-as e reconhecendo a legitimidade das do outro negociador. É interessante também deixar que a outra parte desabafe, mesmo porque, além de servir como válvula de escape que facilita à volta à negociação, muitas informações sobre seus verdadeiros interesses e opções podem ser reveladas no descontrole do outro negociador. Entretanto, tão importante quanto deixar o outro desabafar, é fundamental não reagir a provocações, ofensas, ou outras explosões emocionais. Muitas vezes, nesses casos, gestos simbólicos possuem mais valor do que palavras, e devem ser usados com coerência e sabedoria para trazer a outra parte de volta à mesa de negociação.

Comunicação

Uma das coisas mais importantes numa negociação é demonstrar à outra parte que se está interessado no que ela tem a dizer. Neste sentido, fazer anotações e, principalmente, escutar ativamente é fundamental., utilizando-se a técnica de parafrasear a fala da outra parte - como um “espelho” que repete a última frase dita em tom de pergunta, solicitando confirmação sobre se foi a compreensão correta da idéia. Além disso, é necessário falar de forma clara, objetiva, com um propósito definido, principalmente quando a negociação envolver línguas e culturas diferentes. É interessante também sempre falar sobre suas impressões, sentimentos e interesses, ou sobre os de quem se está representando, evitando assim acusar a outra parte ou emitir julgamentos que possam colocar o outro negociador na defensiva.

Encontro I - Chegando ao Sim

Na última quarta-feira, dia 04/03, compareceram 52 pessoas ao nosso Encontro I, muitos dos quais participavam pela primeira vez, o que totalizou 80 inscritos.

Iniciamos a reunião perguntando sobre o melhor dia para os encontros. Levantou-se a hipótese de dividir em duas turmas, haja vista que aproximadamente 20% dos presentes gostaria que as reuniões fossem as segundas-feiras. A proposta ainda está sendo estudada, e vamos ver como será o quórum no Encontro II, dia 11/03.

Em seguida, Eduardo Gresse comentou brevemente sobre a notícia da semana: o anúncio da Secretária de Estado estadunidense, Hillary Clinton, de que a ajuda dos EUA aos palestinos não deve chegar às mãos do Hamas. Os pontos principais da notícia é que a negociação foi concluída tendo que 2/3 dos US$ 900 milhões devem ficar com a Autoridade Palestina, o que, além de atender a interesses políticos do governo Abbas e de seu partido, o Fatah, ainda "salva suas aparências" (face-saving) em aceitar ajuda dos EUA, principal aliado de Israel.

O livro “Chegando ao Sim” é bastante didático e que, a despeito de problemas na tradução brasileira, sua leitura é fácil e rápida, e seus exemplos de casos em RI tornam a leitura agradável. Os principais argumentos dos capítulos que analisamos serão sintetizados nos próximos posts, para que os membros e o público que acompanha o blog possam participar fazendo comentários, trazendo exemplos, e dar suporte ou criticar os argumentos dos autores.